domingo, 13 de setembro de 2020

Agraciada Família de Felipe Ody Sobrinho

A Agraciada Família de Felipe Ody Sobrinho


Quadro da família Ody

 

Felipe Ody Sobrinho nasceu em 14 de Abril de 1879, no município de Montenegro, filho do imigrante Johann Peter Ody e Gertrudes Winter. Johann Peter Ody imigrou de Beltheim, Hunsrück, Rheinland-Pfalz, em 1862 para o Brasil.

Familia Johann Peter Ody e Gertrudes Winter e alguns filhos.

         Gentileza Arlete R. de Oliveira e Charles Ody.

Num baile de domingo a tarde, Felipe conheceu a bela jovem Maria Flach, nascida em 29 de Dezembro de 1885, filha de Joseph Flach e Maria Schons. Maria de família muito religiosa, com dois irmãos Padres e quatro Irmãs Religiosas, após sério namoro casou-se com com Felipe Ody. 


Foto família de Joseph Flach e Maria Schons tirada em 1932, faltam na foto quatro filhas Irmãs religiosas.
Fonte: Livro da biografia do Irmão Lassalista João Dionisio Ody.

Após casados moraram em Linha Nova, município de Salvador do Sul, onde nasceram os cinco primeiros filhos:
Afonso, Alfredo, Cecilia, Veronica e Mathias Gabriel.
A propriedade da família era montanhosa, pouco fértil. Então os pais de Maria, moradores de Coqueiro Alto, município de Relvado, souberam de terras que estariam à venda na localidade e avisaram a filha e o genro. Felipe Ody foi de cavalo para ver os 20 hectares de terras , paiol e casa, que lhe agradaram. A família vendeu suas terras e comprou as referidas em Coqueiro Alto.
A viagem para levar a mudança foi de carroça, puxada por dois burros,  mais uma mula levava outra bagagem e a mãe  Maria, com o filho pequeno no lombo do cavalo, se deslocaram até a nova moradia. Viajaram 45 km o pequeno filho Mathias Gabriel chorava no colo da mãe e de tardezinha chegaram.
Ali a família teve mais nove filhos, a plantação da lavoura ia muito bem, trabalhavam de sol a sol. As crianças iam crescendo, as mais velhas já ajudavam a trabalhar na roça, as meninas aprendiam os afazeres de cozinhar, limpar a casa e costurar, assim como uma criança cuidava no bebe mais novo á sombra de uma árvore, enquanto os outros trabalhavam na lavoura. A família conseguia se manter bem vestida, com alimentos suficientes e com saúde.
Os pais Felipe e Maria, cultivaram muito o respeito com seus filhos, além da religiosidade, moravam longe da igreja, mas não faltavam as missa nos domingos. Felipe integrava movimentos dentro da Igreja. “Era um pai de profundas convicções religiosas. A mãe era piedosa e temente a Deus.” 
Nesta época o irmão de Felipe, Leopoldo Ody, foi ordenado sacerdote na comunidade de Coqueiro Alto, a festa foi grande. Ali também residia a  família da irmã de Felipe, Maria casada com Miguel Werlang.

Foto família Ody
Irmã Carmelina(Hilda), Veronica, Olga, Rafael;
Irmã Angelina(Lidwina), Imelda, Aloysio;
Irmão João Dionísio(Gabriel), Felipe, Maria, Irmão Inocêncio(Inácio)
Arquivo pessoal Amélia Heisler Ody

 Em 1929 o casal Felipe Ody e Maria Flach, decidem mudar-se para picada de Santa Clara, hoje município de Santa Clara do Sul. Compraram uma área de terras de 50 hectares e a casa do pioneiro Miguel Ruchel Sobrinho. Como alguns dos filhos já estavam no seminário e escola dos Irmãos Lassalistas a mudança de cidade proporcionou maior proximidade das conduções usadas na época. Anos depois a família fez reforma na casa e construindo-a toda de alvenaria, a cozinha permanece original a casa de Miguel Ruchel Sobrinho.  Para ler mais sobre a localidade (clique aqui).
  

Casa de Felipe Ody após a reforma.
Fonte: Arquivo Pessoal Amélia Heisler Ody.

1Afonso Ody

Afonso Ody nasceu em 1907, faleceu com 5 anos.

2 Cônego Alfredo Ody (15.06.1909)

Alfredo Ody nasceu em 15 de junho de 1909, foi ordenado sacerdote. Rezou a primeira missa em 01 de novembro de 1935 em Coqueiro Alto, recebeu o titulo de Cônego. Faleceu em 10 de agosto de 1989.  
Conego Padre Alfredo Ody.
Fonte: Livro Biografia Irmão João Dionísio.

3 Irmã Angelina (10.10.1910)

 A terceira filha de Felipe Ody e Maria Flach batizada com o nome de Cecilia Ody, nasceu em 10 de outubro de 1910, entrou para a congregação das Irmãs de Santa Catarina, quando a família já residia em Santa Clara do Sul.
Foto de Irmã Vitália Ody.
Fonte: Livro Biografia Irmão João Dionísio.


4 Veronica Ody (16.03.1912)
Verônica Ody nasceu em 16 de Março de 1912, também estudou na congregação das Irmãs de Santa Catarina, saindo da congregação mais tarde casou-se com Alfredo Loch.

Irmão João Dionisio Ody (09.11.1909)

Irmão João Dionisio Ody nasceu em 09 de novembro de 1913, batizado com o nome de Mathias Gabriel, entrou para o Juvenato dos Irmãos Lassalistas no final do ano de 1925. Em 1929 começou o Postulado, dia 14 de agosto do mesmo ano recebeu a batina preta e o rabá, colarinho-branco, iniciou o noviciado em 14 de de agosto. A 15 de agosto de 1930 Irmão João Dionisio emitiu os primeiros votos, no dia seguinte passou para o Escolasticado, aos 11 dias do mês de janeiro de 1938 consagrou-se pelos Votos Perpétuos. Foi professor e organista, de 1942 a 1944 em Minas Gerais e de 1945 a 1946 no Rio de Janeiro, voltando e permanecendo em Carazinho, fez o segundo Noviciado de 100 dias na França. Faleceu em 16 de novembro de 2005 em Porto Alegre.
Foto Irmão João Dionisio Ody.
Fonte: Livro Biografia Irmão João Dionísio.


Irmão Inocêncio Atanásio (03.06.1915)

Nasceu em 03 de junho de 1915, batizado com o nome de Inácio, ingressou em 18 de maio de 1927 para o Juvenato dos Irmãos Lassalistas. Em 14 de agosto de 1933 recebeu a batina e o rabá, colarinho, iniciando o noviciado com o nome de Irmão Inocêncio Atanásio, no ano seguinte emitiu os primeiros votos. Foi recrutador de vocacionados, atuou como procurador junto ao governo para conseguir auxilio financeiro para as escolas Lassalistas, iniciou a escola La Salle em Xanxerê Santa Catarina, em 1962 fez segundo noviciado em Roma. Faleceu prematuramente em 15 de janeiro de 1966 em Porto Alegre vitima de tétano.  

Foto do Irmão Inocêncio Atanásio Ody.
Fonte: Livro Biografia Irmão João Dionísio.

7 Olga Ody (20.05.1917)

Foto de Olga Ody.

Arquivo Rafael Lenhard



Olga nasceu em 20 de maio de 1917, casou-se com Leopoldo Stülp, não tiveram filhos. Olga faleceu em 14 de dezembro de 2014.

8 Rafael Ody (28.11.1918)

Rafael nasceu em 28 de novembro de 1918, casou-se com Veronica Ruwer, era agricultor, residia em Linha Popi, Itapiranga-SC.

Irmã Carmelina (30.10.1920)
Irmã Carmelina nasceu em 30 de outubro de 1920, batizada com o nome de Hilda, entrou para a congregação das Irmãs da Divina, faleceu em Florianópolis como noviça em 1945 de ataque cardíaco

10 Padre Miguel Ody (17.06.1922)

Foto Padre Miguel Ody.

Arquivo Rafael Lenhard




Nasceu em 17 de junho de 1922 em Coqueiro Alto, entrou para ordem dos Irmãos Lassalistas, assumindo o nome de Irmão Bernardino Inácio, mais tarde tornou-se sacerdote e foi ordenado em 15 de agosto de 1971, rezando a primeira missa em Santa Clara do Sul em 22 de agosto de 1971. Padre Miguel Ody foi pároco de Palanque município de Mato Leitão, mais tarde residiu em Santa Clara do Sul onde faleceu em 02 de janeiro de 2016.

11 Paulo Ody (29.06.1924)

Paulo Ody nasceu em 29 de junho de 1924, casou-se em primeiras núpcias com Diva Schabbach, e em segundas núpcias com Lidya Gregory. Foi estudante do seminário dos Padres Seculares e dos Irmãos Lassalistas.

12 Aloysio Ody (14.07.1926)
Aloysio Ody nasceu em 14 de julho de 1926, casou-se com Amélia Heisler, nascida em 27 de abril de 1931 filha de Alberto Heiler e Teolinda Johann, após casados ficaram residindo na casa e terras do pai, Felipe Ody, trabalhando na agricultura, o casal teve 4 filhos. Aloysio faleceu em 09 de novembro de 2018.

Foto de casamento de Aloysio Ody e Amélia Heisler.
Fonte: Arquivo pessoal Amélia Heisler Ody.

13 Irmã Anngelina Ody
Irmã Angelina Ody  gêmea de Aloysio nasceu em 14 de julho de 1926, batizada com o nome de Lidwina, entrou para a congregação das Irmãs de Santa Catarina, faleceu em 09 de fevereiro de 1998.

14 Imelda Ody 

Foto de casamento de Imelda Ody e Avelino Goergen.

Foto cedida por Lenise Goergen Gerhardt.


Nascida em 05 de julho de 1928, casou-se com Avelino Goergen falecido em 12 de novembro de 1979, já viúva a única filha viva do casal Felipe Ody e Maria Flach.

Maria Flach  de pois de um período muito doente faleceu em 19 de novembro de 1945, apenas o Conego Padre Alfredo dos filhos religiosos pode comparecer ao velório e enterro da mãe, para lembrança dos demais filhos religiosos a família fez uma foto da mãe sendo velada.  No ano de 1945 pela primeira vez o pai já viúvo, Felipe Ody pode se reunir com os seis filhos religiosos, a Irmã Carmelinda já havia falecido.


Irmão Inocêncio(Inácio), Irmão João Dionísio, Irmão Bernardino(Miguel) depois Padre Miguel;
Irmã Vitália(Cecilia), Felipe, Padre Alfredo, Irmã Angelina(Lidwina).
Fonte: Arquivo pessoal Amélia Heisler Ody.




Em primeiro de Janeiro de 1953 foi concedido a Felipe Ody recebeu o Diploma de Benfeitor do Instituto dos Irmãos das Escolas Cristãs.(Irmãos Lassalistas)

Felipe Ody recebendo o Diploma de Benfeitor do Instituto dos Irmãos das Escolas Cristãs.(Irmãos Lassalistas)
Irmão Inocêncio Atanásio, Irmão Bernardino;
Conego Padre Alfredo Ody, Felipe Ody, Irmão João Dionisio.



Lembra Amélia Heisler Ody, esposa de Aloysio Ody, que após casados ficaram residindo na casa de Felipe Ody, a grande alegria da família quando os religiosos podiam todos juntos fazer as visitas de férias ao pai e familiares, das poucas vezes que foi possível lembra da alegria de uma visita próximo ao Natal, onde os religiosos ao lado do presépio entoaram cantos a vozes, uma grande alegria e honra para todos.Felipe Ody faleceu em 24 de julho de 1963 em Santa Clara do Sul, a família Ody foi uma família agraciada pelos seus filhos religiosos, foi exemplo e parte importante da história do nosso município de Santa Clara do Sul.

Agradecimentos:A senhora Amélia Ody, Lenise Goergen Gerhardt, Charles Ody.


Fontes:

Kirch, José Odilo

Irmão Alfredo Werlang

Irmão das Escolas Lassalistas (Lassalista)/José Odilo Kirch

 

Kirch, José Odilo

Irmão João Dionisio /José Odilo Kirch Porto Alegre: Provincia  Lassalista de Porto Alegre,2006.

Trasel, Alberto

Album Jubilar de Santa Clara do Sul, 1969.


Rafael Henrique Lenhard, nasci em 19 de Dezembro de 1994, em Santa Clara do Sul RS. Sou formado como Bacharel em Administração pela Universidade Norte do Paraná. Pesquiso a genealogia de famílias alemãs desde 2008.
Se você precisar de ajuda em pesquisas ou tiver alguma contribuição ou correção  para fazer, estarei a disposição, contate pelo facebook, ou e-mail rafaelhelenhard@gmail.com, não esqueça de me seguir para acompanhar as publicações.

terça-feira, 20 de agosto de 2019

Peter Mallmann Primeiro Professor Paroquial de Santa Clara do Sul


A vida do Professor Peter Mallmann

“Quando nosso coração se volta aos nossos antepassados, algo muda dentro de nós. Sentimos que fazemos parte de algo que é maior que nós mesmos.”
Russel M. Nelson
Foto Professor Peter Mallmann.
Arquivo do Autor.

Já me peguei varias vezes pensando sobre a história de vida do meu trisavô Peter Mallmann, me fazendo questionamentos sobre ele, talvez por me sentir com um perfil parecido com o seu, e ter apresso e orgulho do que ele viveu e foi. A história de sua vida começa na Alemanha, na região do Hunsrick, banhado pelo rio Reno, quase na metade do século 19. 
Johann Peter Mallmann e sua esposa Elisabeth Adams eram um casal de agricultores moradores de Blankenrath, na Alemanha, estavam esperando seu segundo filho, aos 08 de abril de 1848 nasceu meu trisavô, ao qual foi batizado com o nome de Peter. O pequeno Peter já tinha um irmãozinho chamado Johann Peter, mais tarde nasceu mais o irmão, Christian e três irmãs, Angela, Anna Maria e Anna. Peter foi crescendo, sabe-se que fez estudos superiores, deve ter também aprendido música e canto na mesma época.

Cena de agricultores alemães do trailer do filme Die andere Heimat - Chronik einer Sehnsucht de Edgar Reitz.


A Alemanha estava passando por um período muito difícil, principalmente para as pobres famílias de agricultores, muitas já tinham imigrado para o Brasil, a oferta era grande e tentadora. Peter estava com 16 anos quando a família decide deixar sua terra natal para imigrar para o Brasil. Quão difícil deve ter sido esta decisão, abandonar seus familiares, sua terra natal, culturas, tradições, rumo a um “mundo novo”. Mas a esperança de mudar e melhorar de vida estava presente em seus corações para terem tomado esta decisão. Começava uma grande viagem, de carroça e a pé, até o porto e mais aproximadamente três meses no navio em alto mar. O navio veleiro possuía três mastros, andava com a força do vento, que provocava fortes ondas e fazia o navio balançar. Nesta viajem Peter perdeu seu irmão Christian, que como os outros que faleciam eram jogados ao mar. Viagem sacrificada num navio em alto mar, passando por tempestades, todo este tempo sem conforto, com mais dezenas de pessoas em busca de uma vida melhor.
Em 13 de março de 1863 a família chega a Dois Irmãos, onde ficaram morando. Devem ter ficado fascinados com as matas, os animais e principalmente com a terra fértil. Foi um recomeço sofrido para a família, mas diante de uma outra realidade. Já aqui no Brasil nasceu mais um irmãozinho de Peter em 1867 ao qual foi batizado de João.
Peter conheceu a jovem Maria Magdalena Reinbüchler, filha de Jacob Reinbüchler e Elisabetha Wemann. Pedindo a em casamento, casou-se com ela no dia 10 de agosto de 1869, na Capela São Francisco Xavier em Bugersberg (Monte dos Bugres) atualmente Santa Maria do Herval.

Registro de Casamento de Peter Mallamnn e Maria Magdalena Reinbuchler.
Fonte: "Brasil, Rio Grande do Sul, Registros da Igreja Católica, 1738-1952,Dois Irmãos; 

Capela de São Francisco Xavier - Burgerberg - atual cidade de Santa Maria do Herval.
Foto exposta no monumento  aos 1°s associados da Capela São Francisco Xavier – 1849.
Fonte: Eduardo Daniel Schneider.

Em 1871 os pais de Peter tiveram mais uma filha, nascia a irmã mais nova de Peter, batizada como Elisabetha. O trisavô Peter, começou a ministrar aulas nas pequenas escolas, lecionou durante 4 anos no Jamertal, hoje Dois Irmãos, após mais 3 anos em Linha Bonita, Monte Negro.
Peter Mallmann e Maria Magdalena Reinbuchler tiveram 11 filhos:

Maria Magdalena Reinbuchler e Peter Mallmann.
Fonte: Arquivo pessoal do Autor.

1-Pedro Mallmann
2-Felipe Mallmann
3-Jacob Mallmann
4-João Mallmann
5-José Mallmann
6-Catarina Mallmann
7-Nicolau Mallmann
8-Francisco Xavier Mallmann
9-Ignacio Mallmann
10-Maria Magdalena Mallmann
11-Veronica Mallmann

Em 1882 o trisavô Peter a Trisavó Maria Magdalena mudaram-se para a então Picada de Santa Clara, hoje município de Santa Clara do Sul, onde o trisavô chamado em alemão de Pitter Hannes, assumiu a direção da nova capela/escola recémconstruída, sendo o Primeiro Professor Paroquial de Santa Clara do Sul, citado no Álbum Jubilar do Padre Alberto Träsel, a trisavó por sua bondade era chamada pelos familiares em alemão de “leib Malin”

Imagem 3D da primeira capela de Santa Clara do Sul, onde Peter Mallmann lecionou

O trisavô passou também a exercer o cargo de Sacristão, tocava o órgão nas celebrações da capela e era dirigente do coro. Aqui em Santa Clara do Sul residia na curva do travessão (rua) que segue em direção a nova Santa Cruz, hoje a casa enxaimel está no Parque Histórico de Lajeado.

A vida do professor naquela época era muito difícil, uma comunidade de colonos muito humildes, o salário do professor era muito pequeno. O trisavô e o filho mais velho aprenderam com outra família a cultivar o tabaco, para ajudar a melhorar a condição de vida, que não estava tão boa. A missão do Primeiro Professor de Santa Clara d Sul era bem maior que apenas lecionar, recebendo tão pouco para o sustento da família, foi obrigado a buscar uma alternativa, não deixando a comunidade e o magistério de lado, me parece que foi muito empenhado e realmente fazia o que gostava, ensinar as pequeninas crianças, filhos dos humildes colonos ler e escrever.

Casa onde a família do trisavô Professor Peter Mallmann morou em Santa Clara do Sul, hoje localiza-se no parque Histórico de Lajeado RS.
Fonte: Arquivo do Autor.

Em 1895 no último ano da Revolução Federalista , o grupo dos maragatos de Zeca Ferreira ameaçava invadir o centro da Picada de Santa Clara, a picada estava em alerta. A família do trisavô passou pelo tormento dessa invasão, assim como as outras mulheres a trisavó Malin teve que se esconder com as crianças na mata, hoje a comunidade de Santa Clara do Sul não tem ideia dos momentos de medo que as famílias viveram naquela época, mas deixaram um grande legado, nunca abandonaram sua coragem e sua fé. No dia 28 de maio de 1895 ao raiar do sol os maragatos tentaram a invasão, o trisavô Pitter Hanes foi um dos 50 combatentes Santa-Clarenses que heroicamente rechaçaram os Maragatos, naquele dia.
Em 1896 foi concedida a licença eclesiástica ao coral do Professor Peter Mallmann, os quais fundaram a "União Santa Cecília", na qual se inscreveram 60 homens e jovens, onde o melhor tenor do coro era Miguel Ruchel Sobrinho, o coral existe até hoje, com denominação de Coral São Francisco, é uma das grandes heranças do trisavô para a comunidade. O trisavô em meio as dificuldades da época foi professor durante 17 anos, alfabetizando e instruindo muitas crianças, certa vez teve 53 alunos em sua sala de aula.

Foto Professor Peter Mallmann com seus 53 alunos em frente a primeira capela escola de Santa Clara do Sul.
Fonte: Album Jubilar  de Santa Clara do Sul.

No ano de 1898 o trisavô Peter e a trisavó Maria Magdalena mudaram-se para Lajeado, onde  Peter adoeceu dos pulmões e faleceu no dia 01 de Janeiro de 1902, com 52 anos, foi sepultado no cemitério católico em Lajeado.

Registro de Óbito de Peter Mallmann.
Brasil, Rio Grande do Sul, Registros Igreja Catolica , 1738-1952, Paróquia Santo Inácio de Lajeado.

Ali partia para a eternidade, para mim, o grande trisavô Peter Mallmann, Pitter Hannes como era chamado, deixou um grande legado e exemplo comunitário para toda família Mallmann, inspiração para nós nos dias de hoje que muitas vezes passamos por momentos difíceis, mas sempre devemos buscar novas alternativas, não desistindo de nossos ideais. Uma vida sofrida mas com certeza com muitas alegrias deixando a descendência de uma família numerosa espalhada por todo Brasil e outros países.

Todesanzeige – agradecimento da esposa enlutada de Peter Mallmann.
Fonte: Acervo Benno Lermen, Instituto Anchietano de Pesquisas
Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS.

Após o trisavô Pitter Hannes falecer a trisavó Malin foi morar na casa do bisavôJosé Mallmann e bisavó Cataria Friedrich, em São Bento Lajeado. Em dezembro de 1924 a trisavó Malin adoeceu, depois de oito dias acamada na manha do Natal, 25 de Dezembro de 1924 faleceu, foi sepultada no cemitério católico de São Bento Lajeado.


“Nossos antepassados seguem vivendo em nós, e através de nós querem realizar algo que dará a eles e a nós, paz.”
Bert Helinger.


Trata-se do sentimento de quem honra seus antepassados, tem os como exemplos, estuda genealogia. Hoje participo do Coral São Francisco criado na década de 1880, pelo trisavô Peter Mallmann, em minha casa tenho um quadro com sua foto ao lado da foto da trisavó Maria Magdalena, preservando assim sua história de vida escrevi nesta publicação.

Vídeo do Coral São Francisco, sob regência de Silvestre Bourscheidt, canto do Glória Missa de Natal 2018.



Fontes de Pesquisa:
TRÄSEL, Padre Alberto. Álbum Jubilar de Santa Clara do Sul. Jornal da Comemoração do Centenário Santa-clarense, Impresso. Santa Clara do Sul, 1969

MALLMANN, Padre Lodomilo Augusto Mallmann. A Origem da Família Mallmann. Editora não informada. 1994.


Agradecimento póstumo ao Padre Alberto Träsel, Pedro Canisio Mallmann, Orestes Mallmann, e Eduardo Daniel Schneider.
Rafael Henrique Lenhard, nasci em 19 de Dezembro de 1994, em Santa Clara do Sul RS. Sou formado como Bacharel em Administração pela Universidade Norte do Paraná. Pesquiso a genealogia de famílias alemãs desde 2008.

Se tiver alguma contribuição ou correção  para fazer, estarei a disposição, contate pelo facebook, ou e-mail rafaelhelenhard@gmail.com, não esqueça de me seguir para acompanhar as publicações.