Felipe Ody Sobrinho nasceu em 14 de Abril de 1879, no município de Montenegro, filho do imigrante Johann Peter Ody e Gertrudes
Winter. Johann Peter Ody imigrou de Beltheim, Hunsrück, Rheinland-Pfalz, em
1862 para o Brasil.
Familia
Johann Peter Ody e Gertrudes Winter e alguns filhos.
Gentileza Arlete R. de Oliveira e Charles Ody.
Num baile
de domingo a tarde, Felipe conheceu a bela jovem Maria Flach, nascida em 29 de
Dezembro de 1885, filha de Joseph Flach e Maria Schons. Maria de família muito religiosa, com dois irmãos
Padres e quatro Irmãs Religiosas, após sério namoro casou-se com com Felipe Ody.
Foto
família de Joseph Flach e Maria Schons tirada em 1932, faltam na foto quatro
filhas Irmãs religiosas.
Fonte:
Livro da biografia do Irmão Lassalista João Dionisio Ody.
Após
casados moraram em Linha Nova, município de Salvador do Sul, onde nasceram os
cinco primeiros filhos:
Afonso,
Alfredo, Cecilia, Veronica e Mathias Gabriel.
A propriedade da família era montanhosa,
pouco fértil. Então os pais de Maria, moradores de Coqueiro Alto, município de Relvado,
souberam de terras que estariam à venda na localidade e avisaram a filha e o
genro. Felipe Ody foi de cavalo para ver os 20 hectares de terras , paiol e casa, que lhe agradaram. A família vendeu suas terras e comprou as referidas
em Coqueiro Alto.
A viagem para levar a mudança foi de carroça, puxada por dois burros, mais uma mula
levava outra bagagem e a mãe Maria, com o
filho pequeno no lombo do cavalo, se deslocaram até a nova moradia. Viajaram 45
km o pequeno filho Mathias Gabriel chorava no colo da mãe e de tardezinha
chegaram.
Ali a família teve mais nove filhos, a
plantação da lavoura ia muito bem, trabalhavam de sol a sol. As crianças iam
crescendo, as mais velhas já ajudavam a trabalhar na roça, as meninas aprendiam
os afazeres de cozinhar, limpar a casa e costurar, assim como uma criança
cuidava no bebe mais novo á sombra de uma árvore, enquanto os outros trabalhavam na lavoura. A família conseguia se manter
bem vestida, com alimentos suficientes e com saúde.
Os pais Felipe e Maria, cultivaram muito o
respeito com seus filhos, além da religiosidade, moravam longe da igreja, mas
não faltavam as missa nos domingos. Felipe integrava movimentos dentro da
Igreja. “Era um pai de profundas
convicções religiosas. A mãe era piedosa e temente a Deus.”
Nesta
época o irmão de Felipe, Leopoldo Ody, foi ordenado sacerdote na comunidade de
Coqueiro Alto, a festa foi grande. Ali também residia a família da irmã de Felipe, Maria casada com
Miguel Werlang.
Foto família Ody
Irmã Carmelina(Hilda), Veronica, Olga, Rafael;
Irmã Angelina(Lidwina), Imelda, Aloysio;
Irmão João Dionísio(Gabriel), Felipe, Maria, Irmão
Inocêncio(Inácio)
Arquivo pessoal Amélia Heisler Ody
Em 1929 o casal Felipe Ody e Maria Flach,
decidem mudar-se para picada de Santa Clara, hoje município de Santa Clara do
Sul. Compraram uma área de terras de 50 hectares e a casa do pioneiro Miguel
Ruchel Sobrinho. Como alguns dos filhos já estavam no seminário e escola dos
Irmãos Lassalistas a mudança de cidade proporcionou maior proximidade das
conduções usadas na época. Anos depois a família fez reforma na casa e construindo-a
toda de alvenaria, a cozinha permanece original a casa de Miguel Ruchel
Sobrinho. Para ler mais sobre a localidade (clique aqui).
Casa de
Felipe Ody após a reforma.
Fonte:
Arquivo Pessoal Amélia Heisler Ody.
1Afonso Ody
Afonso
Ody nasceu em 1907, faleceu com 5 anos.
2 Cônego Alfredo Ody (15.06.1909)
Alfredo
Ody nasceu em 15 de junho de 1909, foi ordenado sacerdote. Rezou a primeira
missa em 01 de novembro de 1935 em Coqueiro Alto, recebeu o titulo de Cônego.
Faleceu em 10 de agosto de 1989.
Conego
Padre Alfredo Ody.
Fonte:
Livro Biografia Irmão João Dionísio.
3 Irmã Angelina (10.10.1910)
A terceira filha de Felipe Ody e Maria Flach batizada
com o nome de Cecilia Ody, nasceu em 10 de outubro de 1910, entrou para a
congregação das Irmãs de Santa Catarina, quando a família já residia em Santa
Clara do Sul.
Foto de Irmã
Vitália Ody.
Fonte:
Livro Biografia Irmão João Dionísio.
4 Veronica
Ody (16.03.1912)
Verônica
Ody nasceu em 16 de Março de 1912, também estudou na congregação das Irmãs de
Santa Catarina, saindo da congregação mais tarde casou-se com Alfredo Loch.
5 Irmão João Dionisio Ody (09.11.1909)
Irmão
João Dionisio Ody nasceu em 09 de novembro de 1913, batizado com o nome de
Mathias Gabriel, entrou para o Juvenato dos Irmãos Lassalistas no final do ano
de 1925. Em 1929 começou o Postulado, dia 14 de agosto do mesmo ano recebeu a
batina preta e o rabá, colarinho-branco, iniciou o noviciado em 14 de de
agosto. A 15 de agosto de 1930 Irmão João Dionisio emitiu os primeiros votos, no
dia seguinte passou para o Escolasticado, aos 11 dias do mês de janeiro de 1938
consagrou-se pelos Votos Perpétuos. Foi professor e organista, de 1942 a 1944
em Minas Gerais e de 1945 a 1946 no Rio de Janeiro, voltando e permanecendo em
Carazinho, fez o segundo Noviciado de 100 dias na França. Faleceu em 16 de
novembro de 2005 em Porto Alegre.
Foto Irmão
João Dionisio Ody.
Fonte:
Livro Biografia Irmão João Dionísio.
6 Irmão Inocêncio Atanásio (03.06.1915)
Nasceu em
03 de junho de 1915, batizado com o nome de Inácio, ingressou em 18 de maio de
1927 para o Juvenato dos Irmãos Lassalistas. Em 14 de agosto de 1933 recebeu a
batina e o rabá, colarinho, iniciando o noviciado com o nome de Irmão Inocêncio
Atanásio, no ano seguinte emitiu os primeiros votos. Foi recrutador de
vocacionados, atuou como procurador junto ao governo para conseguir auxilio
financeiro para as escolas Lassalistas, iniciou a escola La Salle em Xanxerê
Santa Catarina, em 1962 fez segundo noviciado em Roma. Faleceu prematuramente
em 15 de janeiro de 1966 em Porto Alegre vitima de tétano.
Foto do Irmão
Inocêncio Atanásio Ody.
Fonte:
Livro Biografia Irmão João Dionísio.
7 Olga
Ody (20.05.1917)
Foto de
Olga Ody.
Arquivo
Rafael Lenhard
Olga
nasceu em 20 de maio de 1917, casou-se com Leopoldo Stülp, não tiveram filhos. Olga faleceu em 14 de dezembro de 2014.
8 Rafael Ody (28.11.1918)
Rafael
nasceu em 28 de novembro de 1918, casou-se com Veronica Ruwer, era agricultor,
residia em Linha Popi, Itapiranga-SC.
9 Irmã Carmelina (30.10.1920)
Irmã
Carmelina nasceu em 30 de outubro de 1920, batizada com o nome de Hilda, entrou
para a congregação das Irmãs da Divina, faleceu em Florianópolis como noviça em
1945 de ataque cardíaco
10 Padre Miguel Ody (17.06.1922)
Foto
Padre Miguel Ody.
Arquivo
Rafael Lenhard
Nasceu em
17 de junho de 1922 em Coqueiro Alto, entrou para ordem dos Irmãos Lassalistas,
assumindo o nome de Irmão Bernardino Inácio, mais tarde tornou-se sacerdote e
foi ordenado em 15 de agosto de 1971, rezando a primeira missa em Santa Clara
do Sul em 22 de agosto de 1971. Padre Miguel Ody foi pároco de Palanque
município de Mato Leitão, mais tarde residiu em Santa Clara do Sul onde faleceu
em 02 de janeiro de 2016.
11 Paulo
Ody (29.06.1924)
Paulo Ody
nasceu em 29 de junho de 1924, casou-se em primeiras núpcias com Diva Schabbach, e em
segundas núpcias com Lidya Gregory. Foi estudante do seminário dos Padres
Seculares e dos Irmãos Lassalistas.
12 Aloysio
Ody (14.07.1926)
Aloysio
Ody nasceu em 14 de julho de 1926, casou-se com Amélia Heisler, nascida em 27
de abril de 1931 filha de Alberto Heiler e Teolinda Johann, após casados
ficaram residindo na casa e terras do pai, Felipe Ody, trabalhando na
agricultura, o casal teve 4 filhos. Aloysio faleceu em 09 de novembro de 2018.
Foto de
casamento de Aloysio Ody e Amélia Heisler.
Fonte:
Arquivo pessoal Amélia Heisler Ody.
13 Irmã Anngelina Ody Irmã
Angelina Ody gêmea de Aloysio nasceu em
14 de julho de 1926, batizada com o nome de Lidwina, entrou para a congregação
das Irmãs de Santa Catarina, faleceu em 09 de fevereiro de 1998.
14 Imelda
Ody
Foto de
casamento de Imelda Ody e Avelino Goergen.
Foto
cedida por Lenise Goergen Gerhardt.
Nascida
em 05 de julho de 1928, casou-se com Avelino Goergen falecido em 12 de novembro de 1979, já viúva a única filha
viva do casal Felipe Ody e Maria Flach.
Maria
Flach de pois de um período muito doente
faleceu em 19 de novembro de 1945, apenas o Conego Padre Alfredo dos filhos
religiosos pode comparecer ao velório e enterro da mãe, para lembrança dos
demais filhos religiosos a família fez uma foto da mãe sendo velada. No ano de 1945 pela primeira vez o pai já
viúvo, Felipe Ody pode se reunir com os seis filhos religiosos, a Irmã
Carmelinda já havia falecido.
Irmão Inocêncio(Inácio), Irmão João Dionísio, Irmão
Bernardino(Miguel) depois Padre Miguel;
Irmã Vitália(Cecilia), Felipe, Padre Alfredo, Irmã
Angelina(Lidwina).
Fonte: Arquivo pessoal Amélia Heisler Ody.
Em
primeiro de Janeiro de 1953 foi concedido a Felipe Ody recebeu o Diploma de
Benfeitor do Instituto dos Irmãos das Escolas Cristãs.(Irmãos Lassalistas)
Felipe
Ody recebendo o Diploma de Benfeitor do Instituto dos Irmãos das Escolas
Cristãs.(Irmãos Lassalistas)
Irmão Inocêncio
Atanásio, Irmão Bernardino;
Conego
Padre Alfredo Ody, Felipe Ody, Irmão João Dionisio.
Lembra
Amélia Heisler Ody, esposa de Aloysio Ody, que após casados ficaram residindo
na casa de Felipe Ody, a grande alegria da família quando os religiosos podiam
todos juntos fazer as visitas de férias ao pai e familiares, das poucas vezes
que foi possível lembra da alegria de uma visita próximo ao Natal, onde os
religiosos ao lado do presépio entoaram cantos a vozes, uma grande alegria e
honra para todos.Felipe Ody faleceu em 24 de julho de 1963 em Santa Clara do
Sul, a família Ody foi uma família agraciada pelos seus filhos religiosos, foi exemplo e parte importante da história do nosso município de Santa Clara do Sul.
Agradecimentos:A senhora Amélia Ody, Lenise Goergen Gerhardt, Charles Ody.
Fontes:
Kirch, José Odilo
Irmão Alfredo Werlang
Irmão das Escolas Lassalistas (Lassalista)/José
Odilo Kirch
Kirch, José Odilo
Irmão João Dionisio /José Odilo Kirch Porto Alegre:
Provincia Lassalista de Porto
Alegre,2006.
Trasel, Alberto
Album Jubilar de Santa Clara do Sul, 1969.
Rafael Henrique Lenhard, nasci em 19 de Dezembro de 1994, em Santa Clara do Sul RS. Sou formado como Bacharel em Administração pela Universidade Norte do Paraná. Pesquiso a genealogia de famílias alemãs desde 2008.
Se você precisar de ajuda em pesquisas ou tiver alguma contribuição ou correção para fazer, estarei a disposição, contate pelo facebook, ou e-mail rafaelhelenhard@gmail.com, não esqueça de me seguir para acompanhar as publicações.
“Quando
nosso coração se volta aos nossos antepassados, algo muda dentro de nós.
Sentimos que fazemos parte de algo que é maior que nós mesmos.”
Russel M. Nelson
Foto Professor Peter Mallmann.
Arquivo do Autor.
Já me peguei varias vezes pensando sobre
a história de vida do meu trisavô Peter Mallmann, me fazendo questionamentos
sobre ele, talvez por me sentir com um perfil parecido com o seu, e ter apresso
e orgulho do que ele viveu e foi. A história de sua vida começa na Alemanha, na
região do Hunsrick, banhado pelo rio Reno, quase na metade do século 19. Johann Peter Mallmann e sua esposa Elisabeth Adams eram
um casal de agricultores moradores de Blankenrath, na Alemanha, estavam esperando seu segundo
filho, aos
08 de abril de 1848 nasceu
meu trisavô, ao qual foi batizado com o nome de Peter. O pequeno Peter já tinha
um irmãozinho chamado Johann Peter, mais tarde nasceu mais o irmão, Christian e
três irmãs, Angela, Anna Maria e Anna. Peter foi crescendo, sabe-se que fez
estudos superiores, deve ter também aprendido música e canto na mesma época.
Cena de agricultores alemães do
trailer do filme Die andere Heimat - Chronik einer Sehnsucht de
Edgar Reitz.
A Alemanha
estava passando por um período muito difícil, principalmente para as pobres
famílias de agricultores, muitas já tinham imigrado para o Brasil, a oferta era
grande e tentadora. Peter estava com 16 anos quando a família decide deixar sua
terra natal para imigrar para o Brasil. Quão difícil deve ter sido esta decisão,
abandonar seus familiares, sua terra natal, culturas, tradições, rumo a um
“mundo novo”. Mas a esperança de mudar e melhorar de vida estava presente em
seus corações para terem tomado esta decisão. Começava uma grande viagem, de carroça
e a pé, até o porto e mais aproximadamente três meses no navio em alto mar. O
navio veleiro possuía três mastros, andava com a força do vento, que provocava
fortes ondas e fazia o navio balançar. Nesta viajem Peter perdeu seu irmão
Christian, que como os outros que faleciam eram jogados ao mar. Viagem
sacrificada num navio em alto mar, passando por tempestades, todo este tempo
sem conforto, com mais dezenas de pessoas em busca de uma vida melhor.
Em 13 de
março de 1863 a família chega a Dois Irmãos, onde ficaram morando. Devem ter
ficado fascinados com as matas, os animais e principalmente com a terra fértil.
Foi um recomeço sofrido para a família, mas diante de uma outra realidade. Já
aqui no Brasil nasceu mais um irmãozinho de Peter em 1867 ao qual foi batizado
de João.
Peter
conheceu a jovem Maria Magdalena Reinbüchler, filha de Jacob Reinbüchler e
Elisabetha Wemann. Pedindo a em casamento, casou-se com ela no dia 10 de agosto
de 1869, na Capela São Francisco Xavier em Bugersberg (Monte dos Bugres)
atualmente Santa Maria do Herval.
Registro de Casamento de Peter Mallamnn e Maria Magdalena Reinbuchler. Fonte: "Brasil, Rio Grande do Sul,
Registros da Igreja Católica, 1738-1952,Dois Irmãos;
Capela de São Francisco Xavier - Burgerberg - atual cidade de Santa Maria do Herval.
Foto exposta no monumento aos 1°s associados da Capela São Francisco
Xavier – 1849.
Fonte:
Eduardo Daniel Schneider.
Em 1871 os
pais de Peter tiveram mais uma filha, nascia a irmã mais nova de Peter,
batizada como Elisabetha. O trisavô Peter, começou a ministrar aulas nas
pequenas escolas, lecionou durante 4 anos no Jamertal, hoje Dois Irmãos, após
mais 3 anos em Linha Bonita, Monte Negro.
Peter
Mallmann e Maria Magdalena Reinbuchler tiveram 11 filhos:
Maria Magdalena Reinbuchler e Peter
Mallmann.
Fonte: Arquivo pessoal do Autor.
1-Pedro Mallmann
2-Felipe Mallmann
3-Jacob Mallmann
4-João Mallmann
5-José Mallmann
6-Catarina Mallmann
7-Nicolau Mallmann
8-Francisco Xavier Mallmann
9-Ignacio Mallmann
10-Maria Magdalena Mallmann
11-Veronica Mallmann
Em 1882 o
trisavô Peter a Trisavó Maria Magdalena mudaram-se para a então Picada de Santa
Clara, hoje município de Santa Clara do Sul, onde o trisavô chamado em
alemão de Pitter Hannes, assumiu a direção da nova capela/escola recémconstruída, sendo o Primeiro Professor Paroquial de Santa Clara do Sul, citado
no Álbum Jubilar do Padre Alberto Träsel, a trisavó por sua bondade era chamada
pelos familiares em alemão de “leib Malin”
Imagem 3D da primeira capela de Santa Clara do
Sul, onde Peter Mallmann lecionou
O trisavô passou também a exercer o cargo
de Sacristão, tocava o órgão nas celebrações da capela e era dirigente do coro.
Aqui em Santa Clara do Sul residia na curva do travessão (rua) que segue em
direção a nova Santa Cruz, hoje a casa enxaimel está no Parque Histórico de
Lajeado.
A vida do professor naquela época
era muito difícil, uma comunidade de colonos muito humildes, o salário do
professor era muito pequeno. O trisavô e o filho mais velho aprenderam com
outra família a cultivar o tabaco, para ajudar a melhorar a condição de vida,
que não estava tão boa. A missão do Primeiro Professor de Santa Clara d Sul era
bem maior que apenas lecionar, recebendo tão pouco para o sustento da família,
foi obrigado a buscar uma alternativa, não deixando a comunidade e o magistério
de lado, me parece que foi muito empenhado e realmente fazia o que gostava,
ensinar as pequeninas crianças, filhos dos humildes colonos ler e escrever.
Casa onde a família do trisavô
Professor Peter Mallmann morou em Santa Clara do Sul, hoje localiza-se no
parque Histórico de Lajeado RS.
Fonte: Arquivo do Autor.
Em 1895 no último ano da Revolução Federalista , o grupo dos maragatos de Zeca Ferreira
ameaçava invadir o centro da Picada de Santa Clara, a picada estava em alerta.
A família do trisavô passou pelo tormento dessa invasão, assim como as outras
mulheres a trisavó Malin teve que se esconder com as crianças na mata, hoje a
comunidade de Santa Clara do Sul não tem ideia dos momentos de medo que as
famílias viveram naquela época, mas deixaram um grande legado, nunca
abandonaram sua coragem e sua fé. No dia 28 de maio de 1895 ao raiar do sol os maragatos
tentaram a invasão, o trisavô Pitter Hanes foi um dos 50 combatentes
Santa-Clarenses que heroicamente rechaçaram os Maragatos, naquele dia.
Em 1896
foi concedida a licença eclesiástica ao coral do Professor Peter Mallmann, os
quais fundaram a "União Santa Cecília", na qual se inscreveram 60
homens e jovens, onde o melhor tenor do coro era Miguel Ruchel Sobrinho, o
coral existe até hoje, com denominação de Coral São Francisco, é uma das
grandes heranças do trisavô para a comunidade. O trisavô em meio as
dificuldades da época foi professor durante 17 anos, alfabetizando e instruindo
muitas crianças, certa vez teve 53 alunos em sua sala de aula.
Foto Professor Peter Mallmann com seus 53 alunos em frente a
primeira capela escola de Santa Clara do Sul.
Fonte: Album Jubilar de Santa Clara do Sul.
No ano de 1898 o trisavô
Peter e a trisavó Maria Magdalena mudaram-se para Lajeado, onde Peter adoeceu dos pulmões e faleceu no dia 01
de Janeiro de 1902, com 52 anos, foi sepultado no cemitério católico em
Lajeado.
Registro de Óbito
de Peter Mallmann.
Brasil, Rio
Grande do Sul, Registros Igreja Catolica , 1738-1952, Paróquia Santo Inácio de
Lajeado.
Ali partia para a eternidade, para mim, o grande trisavô
Peter Mallmann, Pitter Hannes como era chamado, deixou um grande legado e
exemplo comunitário para toda família Mallmann, inspiração para nós nos dias de
hoje que muitas vezes passamos por momentos difíceis, mas sempre devemos buscar
novas alternativas, não desistindo de nossos ideais. Uma vida sofrida mas com certeza com muitas
alegrias deixando a descendência de uma família numerosa espalhada por todo Brasil e outros países.
Todesanzeige – agradecimento da esposa enlutada
de Peter Mallmann. Fonte: Acervo Benno Lermen, Instituto
Anchietano de Pesquisas Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS.
Após
o trisavô Pitter Hannes falecer a trisavó Malin foi morar na casa do bisavôJosé Mallmann e bisavó Cataria Friedrich, em São Bento Lajeado. Em dezembro de
1924 a trisavó Malin adoeceu, depois de oito dias acamada na manha do Natal, 25
de Dezembro de 1924 faleceu, foi sepultada no cemitério católico de São Bento
Lajeado.
“Nossos antepassados seguem vivendo
em nós, e através de nós querem realizar algo que dará a eles e a nós, paz.”
Bert Helinger.
Trata-se
do sentimento de quem honra seus antepassados, tem os como exemplos, estuda
genealogia. Hoje participo do Coral São Francisco criado na década de 1880, pelo
trisavô Peter Mallmann, em minha casa tenho um quadro com sua foto ao lado da
foto da trisavó Maria Magdalena, preservando assim sua história de vida escrevi nesta publicação.
Vídeo
do Coral São Francisco, sob regência de Silvestre Bourscheidt, canto do Glória
Missa de Natal 2018.
Fontes de Pesquisa:
TRÄSEL, Padre Alberto. Álbum Jubilar de Santa Clara do Sul.Jornal da Comemoração do Centenário Santa-clarense, Impresso. Santa Clara do Sul, 1969
MALLMANN, Padre Lodomilo Augusto Mallmann. A
Origem da Família Mallmann. Editora não informada. 1994.
Agradecimento póstumo ao Padre Alberto Träsel, Pedro Canisio Mallmann, Orestes Mallmann, e Eduardo Daniel Schneider.
Rafael Henrique Lenhard, nasci em 19 de Dezembro de 1994, em Santa Clara do Sul RS. Sou formado como Bacharel em Administração pela Universidade Norte do Paraná. Pesquiso a genealogia de famílias alemãs desde 2008.
Se tiver alguma contribuição ou correção para fazer, estarei a disposição, contate pelo facebook, ou e-mail rafaelhelenhard@gmail.com, não esqueça de me seguir para acompanhar as publicações.